Onde fotografar nas montanhas Rochosas canadenses!

Como você viu no meu canal no Youtube, fiz recentemente, em agosto/2018, uma viagem fotográfica ao Canadá, em busca de paisagens alucinantes e contato com a vida selvagem local: ursos, coyotes, alces, veados, etc.

Neste post, vou relatar um pouco do roteiro, melhores lugares para fotografar e sobre a época que eu fui, auge do verão. Vamos nessa!

O Verão no Canadá

Todo mundo associa o Canadá ao FRIO. Mas, posso te falar de experiência própria: o verão é quente. E cada vez MAIS quente! Devorei guias de turismo sobre o Canadá, para ter certeza da época da minha viagem. Existe uma unanimidade de informações sobre o verão canadense: É quente, e é cheio de gente. Turistas do mundo inteiro vão para lá esta época do ano. E vão mesmo. O que vi lá foi um exercito de orientais, gente por todo lado, foram poucos os momentos de solidão nas montanhas que tivemos ( eu e minha mulher, Luana) pois sempre havia alguém caminhando perto. Mas, para mim, isso também significa que é um ótimo lugar para se visitar, pois, se há anos, os turistas se enfileiram para conhecer um lugar nesta época do ano, ruim não pode ser.

Fora isso, nenhum guia , nenhum site, nenhum nada, informou sobre o problema crescente do Canada: Queimadas, ou, na lingua deles, os temidos WILDFIRES.

Os guias que eu comprei nada falam sobre uma longa temporada de queimadas. Os sites oficiais dos estados que dividem a guarda destes parques nacionais (British Columbia e Alberta) tampouco mencionam nada.  Além disso, existem inúmeros blogs e forums sobre viagens ao Canadá. Nenhum deles trata com clareza e objetividade a situação de queimadas no Canadá. O que sabemos hoje e que é largamente divulgado na imprensa são as queimadas da Califórnia, Portugal, Grécia.. ondas de calor na europa, etc. Mas nada sobre o Canadá. Porque? Para mim, claramente para não afetar o turismo de verão que é monumental. Mas o fato é: Dos 15 dias que passamos nas Montanhas Rochosas (um turista “normal” passa no máximo 6) foram pelo menos 12 dias de larga fumaça cinza no ar, tampando consideravelmente a vista das belas montanhas e florestas de coníferas. Frustante? Com certeza! Voltaria no verão? Não, não voltaria e não indico. Mas voltaria COM CERTEZA absoluta na primavera (maio) ou no outono (final de setembro).

Veja abaixo algumas fotos (belas, mas) frustrantes, da paisagem tomada de fumaça no ar.

O Roteiro

Foram 20 dias de viagem, divididos da seguinte forma:
– 4 dias em Vancouver
– 4 dias em Banff
– 4 dias em Field / Lake Louise
– 4 dias em Jasper
– 4 dias em Vancouver

Observações:

  • O que eu levei de equipamento? Canon 5Ds, Lentes 17-40mm, 24-105mm e 100-400mm; tripé, filtros diversos (ND, Big Stopper, Polarizador), controle remoto, cartões de memória e o meu laptop, assim eu ja ia baixando para um HD externo todos os dias as fotos, e fazendo um backup ali mesmo.
  •  Porque 8 dias em Vancouver (4 na ida, 4 na volta)? Porque eu tenho amigos morando lá, foi legal passar um tempo com eles. E a cidade é sensacional, realmente vale a visita. Cinco dias completos da pra fazer um turismo de qualidade.
  • O deslocamento completo fizemos de carro, sendo que a viagem Vancouver-Banff durou 11horas (Via Highway 5 até Kamloops e depois a mítica TransCanadian até Banff (Hwy 1)), e Jasper-Vancouver, 12 horas (voltamos por cima, pela Highway 16 até Prince George e depois Highway 97 e 99, passando por Whistler).

As estradas são espetacularmente bem conservadas, não há buracos, nem pedágios, muito menos fiscalização policial, blitzes, etc. Você pode dirigir tranquilamente no limite da velocidade permitida ou até uns 10% acima, sem problemas. Mesmo no verão achei as estradas vazias. Quando chegamos nas montanhas, vimos mais campervans e trailers do que carros propriamente ditos. Viajar de trailer./Motorhome é uma prática muito comum lá. E me parece bem divertida, talvez eu fizesse uma próxima vez nesse esquema. Não fiz por custo, sairia mais caro dessa forma.

Banff

Eu tinha um desejo de adolescente de conhecer Banff, desde que tive contato com as primeiras edições do Festival de Filmes Banff, que passava no Rio de Janeiro, com filmes de aventuras nas montanhas e esportes radicais. A cidade realmente é linda, muito bem organizada, toda de madeira, casinhas, hotéis, lojinhas de souvenires, é a cidade mais desenvolvida das montanhas rochosas. Como tivemos azar com a questão da fumaça das queimadas, não deu para registrar muita coisa em Banff, que é cercada de lindas montanhas, como o Mt. Rundle, Cascade Mountain e Sulfur Mountain. Foi o lugar que menos consegui fotografar, pois pegamos o auge das queimadas lá. Uma pena.

Lake Louise / Field

Lake Louise ainda faz parte do Banff National Park (o mais antigo parque do Canadá, criado em 1885) e é em volta dessa cidezinha de ski que ficam os lagos mais impressionantes da região; Além do próprio Lake Louise, o Moraine Lake, o Peyto Lake, o Bow Lake, entre outras jóias da região. Porém, Lake Louise é um lugar incrivelmente caro; por isso, optamos por nos hospedar em Field, uma vila, próxima uns 15 minutos de carro de Lake Louise (não é nada pra quem mora no Rio e leva até 1:30h para se deslocar de carro entre bairros) e muito mais próxima de outro parque que também estava na lista: O selvagem Yoho National Park, com atrações impressionantes como a 2º maior cachoeira do Canadá – Takakkaw Falls – e o belíssimo Emerald Lake. Nos 4 dias que passamos entre Field e Lake Louise, tivemos 1 dia de chuva, o que limpou o tempo completamente por uns 2 dias e meio. Sendo assim, foi nesse trecho da viagem que conseguimos as melhores fotos, incluindo um nascer do Sol épico no Moraine Lake (Chegue cedo mesmo, pois fica lotado de gente! )

Jasper

Com 8 dias nas montanhas, dirigimos para Jasper, subindo direção norte pela mítica Icefields Parkway, considerada uma das – senão A- estrada mais bela do mundo. Entre nuvens e fumaça, conseguimos boas imagens nesta estrada, e passamos também pelo Columbia Icefields, uma geleira no meio da estrada – imponente, mas um pouco decepcionante, vi coisas melhores na viagem. Porém chegamos em Jasper com duas “missões” incompletas ainda: astrofotografia e bichos. Com o tempo ruim, ainda não tinha conseguido fazer qualquer foto de astro, com céu incrivelmente lindo de lá, e também tivemos pouca sorte com os animais; até então apenas alguns esquilos, um veado, e mais nada.
Pois foi em Jasper que nossos problemas acabaram! O tempo melhorou – um pouco – com noites limpas, manhãs gloriosas e tardes enfumaçadas; e foi lá que conseguimos, nos dois últimos dias, ver quase todos os bichos da viagem! Ursos (3x) alces com filhotes, castores, águia americana, veados até dizer chega, cabras da montanha, coiotes. Jasper faz parte de um grupo de cidades que preserva o céu noturno (Dark Sky Association) e por isso as luzes da cidade são bem fracas à noite; dessa forma, você se distancia poucos quilômetros da cidade, e já tem aquele céu espetacular à sua disposição. Fiz algumas boas fotos no Pyramid Lake, distante apenas 10 minutos de carro do centro de Jasper.

Conclusões

Viagem boa é aquela em que testamos o planejamento e tiramo lições para as próximas vezes:

  • Não volto mais no verão, a chance de queimadas é alta; Vou preferir maio ou setembro;
  • Talvez numa próxima oportunidade, compre uma passagem de avião para Calgary, que fica bem próximo à Banff; A estrada de 11horas ida + 11 horas volta pra Vancouver foi um pouco cansativa;
  • Se você for para esta viagem, vá com tempo e paciência; os bichos mais legais não são tão fáceis de ver;
  • O Canadá realmente é o primeiro mundo. Educação, cordialidade, limpeza urbana, estradas perfeitas, tudo funciona. A questão das queimadas é consequência da forma como todos estamos tratando o planeta; biomas mais frágeis sofrem primeiro.

No mais, boa viagem!

By |2019-04-14T18:58:04+00:00February 22nd, 2019|Dicas de fotografia, Viagens fotográficas|

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error: ©Marcello Cavalcanti