Como não dormia bem desde a noite anterior, por conta do vôo de madrugada, me dei um dia “de folga” e dormi como um bebê até as 10h da manhã. Este foi o último dia de mordomia nessa trip! Agora é pé na estrada rumo a El Chaltén, a capital sulamericana do trekking e das paisagens alucinantes. Tomei um ótimo café da manhã no El Bar (recomendo!) e enchi o tanque (ontem gastei quase meio tanque de El Calafate ao Perito Moreno ida e volta) no posto da cidade. São 230km de distancia entre El Calafate e El Chaltén, que podem ser percorridos em 2:30, 3h tranquilamente. Levei quase 5h, por conta das paradas para fotos! Mas tudo bem, não estava com pressa, fui na boa. Uma linda águia fez o meu dia no meio da estrada, enquanto os guanacos não paravam de atravessar loucamente em frente ao carro, atenção se você for dirigir nesta estrada! Eles são enormes e meio sem noção!

© MARCELLO CAVALCANTI
© MARCELLO CAVALCANTI

Parei em vários mirantes, um deles especial , à 100km de El Chaltén, onde se pode ver toda a cordilheira enfileirada, montanha por montanha. Fiz uma panorâmica já pensando em convertê-la para Preto e Branco, por conta do Sol meio contra-luz. Foram quase 20 fotos em sequência! Veja no video como eu fiz essa panorâmica.

Começou a ficar tarde e apertei o passo para chegar logo. A reta final até El Chaltén (os últimos 5, 10 km) são impressionantes, com a montanha do Fitz Roy cada vez mais perto e alta na sua frente. A cidadezinha foi construída literalmente aos pés da montanha, em 1985 para conter o avanço do Chile sobre a fronteira, que, nesta região, fica literalmente por cima da cordilheira. Cheguei por volta das 17:30h, uma pequena parada policial faz um controle de chegada dos visitantes, e tive alguma dificuldade para encontrar o meu “hotel” pois ninguém sabe o nome das ruas por aqui! Todo mundo se conhece pelo nome, o papo era mais ou menos assim:

“- Hola amigo, que tal! Conoces la Calle Riquelme? //Oi amigo, conhece a Riquelme?
– Hola, a quién buscas exatamente?” // Olá! Quem você está procurando exatamente?
– Bueno, no sé, estoy buscando la hospedaria de Max en la Calle Riquelme // Não sei ao certo.. acho que o nome do hostel é “Max” e fica na rua Riquelme
– Max? No conosco ningun Max, lo siento” // Max? Não conheço nenhum Max, me desculpe..

Enfim encontrado o tal Max, é o seguinte: Um senhor (imagina o Seu Madruga) que mora numa casa muito zoneada, construiu uns anexos no quintal dos fundos. Fiquei em um desses anexos. Conforto? zero. Beleza? tampouco. Mas tinha wifi funcionando bem, água quente no chuveiro, tomadas por toda parte e cobertor na cama. Pra mim tá ótimo.! Era quase como um abrigo destes de montanha, pra quem curte uma trilha de longo curso.

© MARCELLO CAVALCANTI

Como ainda estava entardecendo, resolvi voltar pra estrada, com o equipamento, para tentar umas fotos antes que escurecesse. O Sol se põe meio que atrás do Fitz Roy nessa época do ano, então eu já estava enfrentando uma situação de contra-luz. Escolhi um ponto na estrada onde a mesma faz um “S”, e resolvi esperar pela passagem de algum carro para marcar bem a estrada com seu farol, se eu fizesse uma foto de longa exposição, ficaria interessante o resultado. E não é que ficou! Após algumas tentativas até acertar a velocidade ideal e controlar a quantidade de luz suficiente, a foto saiu perfeita (confira no video como eu fiz! ).

© MARCELLO CAVALCANTI
© MARCELLO CAVALCANTI

Voltei pra pensão, deixei as baterias re-carregando e voltei à rua, para jantar. Comi um excelente prato de frango com batatas no Ahonikenk, a um preço muito justo (veja no final do post) e finalmente voltei mais uma vez para a pensão, onde tomei um banho quente e fui dormir – por poucas horas, pois esta madrugada tem astrofotografia! Confira no próximo post!

Dicas, custos e etc

Alimentação 
EL Bar (cafe da manhã em El Calafate): AR$ 200
Jantar no Ahonikenk (El Chaltén): AR$ 260

Gasolina
Meio tanque em  El Calafate: AR$ 440