Hoje foi o dia mais “light” aqui da expedição fotográfica da OneLapse.

Apesar de termos acordado ainda mais cedo, saindo do hotel por volta das 7:30 (ainda muito escuro), fizemos apenas uma atividade intensa, a manhã de fotografia de paisagem, no mirador de los Cuernos, onde se pode ver de frente toda a imponência e intensidade de duas montanhas magníficas: Os Cuernos del Paine e o Cerro Paine Grande. Deste mirador, você caminha um pouco mais e chega a uma fenomenal floresta de árvores queimadas (ainda remanescentes da grande queimada de 2013) uma imagem bela porém trágica. Ali conseguimos fazer algumas fotos enquadrando os galhos retorcidos com as montanhas, enquanto o Sol ainda não nascia.

A luz foi entrando, mas à essa época do ano, o Sol entra meio que atrás dos Cuernos, então infelizmente não vimos aquela luz brilhando na face da motanha onde estávamos. Mesmo assim a sessão rendeu ótimas fotos, pois dali fomos caminhando por uma praia de areia preta e cheia de pedras, na beira de um lago cristalino, onde pude fazer alguns reflexos interessantes mesclando com o fundo do lago cheio de pedras. Fotos sensacionais e clássicas de paisagem. Panorâmica, longa exposição, focus stacking, PB, contra luz.. rolou de tudo um pouco, foi bem produtivo.

Na hora de ir embora tivemos a grande emoção do dia. Percebi que o meu filtro Lee Big Stopper não estava comigo, deve ter caído da minha mochila. Voltei ao ponto inicial (a floresta queimada) com o guia pra procurar pelo chão, sem sucesso. Já tinha desistido de achar, quando ele disse” Marcello, vá procurar na praia, deve estar lá” Mesmo sem muita esperança, fui, enquanto ele me esperava lá na floresta. Desci a trilha até a praia e imediatamente vi a bolsa do filtro no chão. “ufa! achei!!” pensei, aliviado – já quebrei 2 desses filtros antes, e cada um custa USD140 – e fui voltando para subir novamente a trilha e encontrar o guia rumo ao carro. Quando olho para cima, o guia está com a máquina de fotografia na mão, uma cara de pânico, e gesticulando forte para mim. Como logo ali perto  tinha uma queda d’água deste lago, o forte barulho da cachoeira me impedia de ouvir o que ele estava falando, mas do jeito que gesticulava, achei que queria saber se eu tinha achado. Levantei a bolsa do filtro, para que ele visse de longe que eu tinha achado. Ele continuava gesticulando e apontando. Fui chegando perto e consegui ouvir a sua voz: “Puma! Puma Marcello!! Puma! mira! Atrás!” Gelei e olhei para trás, ainda a tempo de ver o puma sumindo do outro lado do rio. O fato é que tinha um puma, adulto, macho, na praia, quando eu desci sozinho para procurar o filtro! Com a minha presença ele se assustou e pulou na água, nadando até o outro lado, para o olhar incrédulo do guia, que tentava desesperadamente me avisar e fotografar ao mesmo tempo, já que registros de pumas nadando são quase nulos na região da Patagonia. So que eu estava olhando sempre para o chão, para encontrar a bolsa do filtro, e literalmente não vi a cena do puma nadando! O guia estava em êxtase, que nada tinha acontecido comigo, mas ao mesmo tempo, emocionado de ter visto a cena, e um pouco chateado que eu também não tinha visto, pois poderia ter feito uma foto histórica! Subimos de volta para a van rindo muito e quando contamos, claro que ninguém acreditou, mas o guia tinha algumas fotos do puma já do outro lado, para provar.

No resto do dia, ainda fizemos uma trilha de aprox. 1h, voltando para casa, na esperança de encontrar um último puma. Nada. Conseguimos um bom registro de um zorro (raposa) animal que eu pensei que veria mais por aqui, e novamente encontramos o guia por volta das 17h na portaria de saída do parque. Fim de viagem, com muitas fotos interessantes, e muita história para contar.

Dicas, custos e etc

Fechamento da conta no Hotel Cerro Castillo

USD350, lanche e jantar 5 dias, + 5 cervejas e 2 garrafas de vinho

Este é o último post da minha aventura fotográfica na Patagônia. Confira os posts anteriores clicando aqui.

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